Textos categorizados 'Praga'

O clima tcheco do U Vejvodů

Dando sequência ao post anterior, o Não é um Guia continua em Praga. Em uma das frias noites de inverno por lá, saímos a procura de um lugar para jantar (leia-se: “para beber uma Pilsner”).

Nosso guia de bolso listava vários estabelecimentos que deveríamos conhecer. Apostamos no Restaurant U Vejvodů, que foi apresentado como um bar/restaurante com a legítima atmosfera da República Tcheca. [As fotos dos ambientes são do site do restaurante. As demais, do Alexandre.]

Chegando lá, descobrimos que o U Vejvodů era mesmo muito legal. O prédio é lindo e super original, e nos deu a impressão de que estávamos entrando em um lugar onde os tchecos há centenas de anos se reúnem para beber uma boa cerveja. De fato, a construção é bem antiga – segundo o site, os primeiros documentos são de 1403.  

Internamente, o restaurante é bastante grande. Na noite em que estivemos lá, o lU Vejvodů estava bem cheio e, de fato, parecia estar abrigando vários grupos de amigos. Éramos, de longe, os mais turistas por ali…

Apesar de o lugar ser muito legal, uma questão bem desagradável foi a fortíssima fumaça de cigarro. É algo ainda mais nojento quando se está comendo, mas não havia outra coisa senão suportar enquanto fosse possível.

Nos acomodamos e logo pedimos “umas” Pilsner Urquell. Linda, essa Urquel.

O cardápio da casa tem todos os pratos tradicionais da cozinha tcheca – e todos, todinhos combinam com a Pilsner. Há aperitivos, entrada frias e quentes, sopas, massas, carnes, peixes, aves, saladas e sobremesas.

O Alexandre mandou bem e optou por um dos pratos mais clássicos, o Plzeňský guláš sypaný cibulkou a paprikou, houskový a špekový knedlík. Ou seja, Goulash! O prato custou 189 Kč, cerca de R$ 19,00.

O meu pedido, bom, foi um pouco mais surpreendente. Quis pedir algo com frango, mas um prato mais de “aperitivo” e escolhi o Grilovaná kuřecí křidélka s pikantní omáčkou a kukuřičnými lupínky Nachos. O que veio foi o prato abaixo.

Dei muita risada quando vi esse pedaço gigante de frango em cima dos nachos (leia-se Doritos). Não me intimidei e mandei ver neste prato, digamos, um tanto rústico.

Se eu gostei? Bom, eu estava em Praga, uma das cidades mais incríveis do mundo, e ali qualquer acontecimento é motivo suficiente pra se sentir feliz.

Restaurant U Vejvodů
http://www.restauraceuvejvodu.cz 
Jilská 4, Prague 1 – Praga – República Tcheca

Hybernia: um tcheco bom, bonito e barato

A viagem ao leste europeu, no ano passado, continua rendendo posts para o Não é um Guia. Vez ou outra abro uma exceção nas experiências gastronômicas recentes para relembrar uma dessas experiências vivenciadas em 2010.

O lugar de hoje é a encantadora Praga, cidade onde se come bem pagando muito pouco. Um dos restaurantes agradáveis que descobrimos por lá foi o Restaurace Hybernia, que foi escolhido “por acaso” para o nosso almoço. Passamos em frente, vimos o quadro de giz com alguns dos pratos e resolvemos entrar (as fotos da fachada foram surripiadas no Google Images).

Internamente, o Hybernia é amplo e agradável. A iluminação mais baixa dá um ar de sofisticação aos ambientes.  (As imagens abaixo são do site do estabelecimento).

O cardápio do Lunch Menu continha seis opções de pratos, todos custando até 100CZK. Ou seja, mais ou menos R$ 10,00. Sim, apenas dez pilinhas! A parte do preço a gente entendeu bem (e adorou, claro), o problema é que não havia uma versão em inglês, só em tcheco mesmo. Aí recorremos à garçonete para nos explicar, mas ainda assim foi bem difícil de entender. O jeito foi captar a “ideia geral” de cada prato e torcer pra que viesse algo gostoso.

Eu ouvi a palavra “chicken” e fiz o meu pedido. O frango veio servido com beterraba e dumplings (que é um acompanhamento clássico do goulash).

Menos original que a minha escolha, o prato do Alexandre foi composto por bifes à milanesa, purë de batatas e pepino.

A bebida, como foi possível ver nas fotos, foi a tradicional cerveja Pilsner Urquell. O Hybernia inclusive apresenta-se como “Pilsner Urquell Art Restaurant”, e tem vários produtos da marca para vender no local.

Super bem localizado, ambientes muito bacanas, comida gostosa e muuuuito barata. Coisas que só a belíssima capital da República Tcheca oferece pra você.

Restaurace Hybernia
http://www.hybernia.cz 
Fone 224 226 004
Hybernska 7/1033 - Praga – República Tcheca

La Scala, um italiano em Praga

Dando sequência às experiências com clima romântico e inspirador, o post de hoje viaja até a belíssima cidade de Praga, capital da República Tcheca.

Em uma noite fria do ano passado, passeávamos pelo centro histórico da Cidade Velha, o coração de Praga. É lá, na Praça da Cidade Velha, que se localiza a Igreja de Nossa Senhora Diante de Týn, cuja construção se deu no século 14 (muito embora ali já houvesse uma igreja ainda mais antiga, do século 11).

Em uma das construções junto à igreja, nos fundos, encontramos um ótimo lugar para o nosso jantar: o Ristorante Pizzeria La Scala. O La Scala está situado nas salas do andar térreo e nas caves da Paróquia da Igreja de Týn.

 

Servindo pratos da cozinha italiana, o Scala tem esse nome devido às escadas que os clientes precisam descer para chegar aos salões principais.

Os ambientes, aliás, são grandes e com várias mesas. O clima é bem familiar.

No cardápio, pratos da gastronomia da Itália se fazem presentes da entrada à sobremesa. Os preços são muitíssimos atrativos para os brasileiros, já que a Coroa Tcheca vale um pouco menos do que o Real.

Como antipasti, degustamos Mussarela à milanesa.

As taças de vinho foram providenciais para aquecer o corpo no gelado inverno tcheco.

Para os pratos principais, fomos de těstoviny, ou melhor, de massa.

Eu comi um penne com ragů z mletého hovězího masa, kořenové zeleniny, rajských. Sim, é exatamente isso que você pensou: molho bolonhesa.

O Alexandre também foi de penne, com um molho do qual nome não me recordo, só sei que era à base de queijo e temperos frescos.

Frio, vinho, cidade incrível, lugar histórico, comida gostosa e excelente companhia. Ingredientes de altíssimo nível para compartilhar em um post na véspera do Dia dos Namorados. ;)

Ristorante Pizzeria La Scala
http://www.lascala.cz 
Celetná 5, 110 00, Prague 1 – Praga – República Tcheca

Sopinha no Muzeum Karlova Mostu

O friozinho está dando as caras por estas bandas do sul, e já ouço vários amigos comentando sobre um prato muito conveniente para as temperaturas baixas: a sopa.

Confesso que não sou muito fã de sopa, a não ser como entrada de outro prato. Ainda assim, deu vontade de trazer essa comida quentinha aqui pro Não é um Guia quando lembrei de uma experiência bem bacana.

Em uma viagem para Praga, no ano passado, fizemos um passeio pelo rio Vltava (Moldava). O ticket dava direito a uma entrada no Muzeum Karlova Mostu, ou Charles Bridge Museum, ou ainda, como bem entendemos, no Museu da Ponte Carlos. O museu apresenta toda a história da construção e da reconstrução de um dos maiores – senão o principal – símbolo da capital tcheca, a Ponte Carlos.

Mas o assunto deste blog não é história, e sim gastronomia, então vamos para a parte que interessa. No museu, após a visita às exposições, encontramos um pequeno café. Lá, o principal atraente foi a sopa do dia. No frio da região da Boêmia, meu amigo, uma sopinha é ouro. E o melhor: a iguaria custava 35 CZK, algo equivalente a R$ 3,50.

Como resultado, em apenas dos poucos dias em Praga, acabamos voltando duas vezes no café do Museu (não é preciso pagar entrada só para ir ao café).

Na primeira vez, encontramos uma sopa de lentilha muito boa. Na segunda visita, não entendi o sabor que a atendente tentou me explicar (ainda não estou fluente em tcheco, sabe como é). Era alguma coisa de tomate com especiarias, segundo meu paladar. Para acompanhar, pedimos uma porção de pãezinhos.

Na terceira vez em que batemos cartão, já estávamos em casa. Tão à vontade que pedimos um licor típico local, que não sei o nome (e, mesmo que soubesse, certamente não saberia pronunciar). Cá entre nós, o licorzinho esquenta beeeem mais que a sopa, mas não dá pra abusar, né?

Um viva para a sopa, para o licor e para a belíssima Praga, essas coisas que aquecem não só o corpo, mas a alma.

Muzeum Karlova Mostu
http://www.muzeumkarlovamostu.cz 
Křižovnické náměstí 3, Praha 1

Tradiční Restaurace U Zlaté Podkovy

Em viagens, levar um bom guia impresso do país ou da cidade visitados sempre é muito útil, especialmente quando o lugar em questão tem uma língua absolutamente incompreensível.

Na viagem à Praga, no ano passado, nosso livrinho nos forneceu boas dicas sobre a capital tcheca. Uma delas diz respeito aos emblemas nas fachadas das casas mais antigas. Até o ano de 1770, as residências ainda não eram identificadas por uma sequência numérica, mas por figuras relacionadas com a história da família moradora. A Casa dos Três Pequenos Violinos, por exemplo, pertencia a uma família de fabricantes de violinos.

Subindo a Rua Nerudova, a caminho do Castelo, encontramos algumas dessas casas. Uma delas, a Casa da Ferradura Dourada, atualmente não abriga uma residência, e sim um restaurante. Como ainda não havíamos almoçado, decidimos fazer nossa refeição naquele tradicional lugar.

O restaurante U Zlaté Podkovy conta com diferentes ambientes, divididos em duas entradas. À direita fica o salão principal e mais algumas salas. Ficamos em uma pequena sala da entrada à esquerda. Pinturas de Praga e até peles de animais decoram o lugar. As duas fotos abaixo são do site do restaurante (o link está no final do post).

O cardápio (disponível em inglês, thank God) apresenta pratos típicos da cozinha da República Tcheca. Como acontece nos demais restaurantes de Praga, o U Zlaté Podkovy oferece algumas opções de menu do dia, normalmente mais rápidos e com melhores preços. Neste caso, as opções eram de entrada + prato principal (variando entre carne, frango ou massa) e sobremesa.

A nossa entrada consistiu em uma sopa que, pelo que lembro, era de legumes ou algo do gênero. Depois de caminhar durante toda a manhã no frio, nada melhor que uma sopinha, seja lá do que for!

Trocamos a sopa por outro líquido, dessa vez um pouco mais gelado. A bebida da refeição foi a tradicional e gostosa Pilsner Urquell. Sim, cerveja combina com frio e combina com sopa. Você está na República Tcheca e vai querer beber suco de laranja? Saudades tuas, Urquell.

Para matar fome, o Alexandre não pestanejou e logo pediu o Beef Goulash – ele deve ter comido esse prato umas 20 vezes por lá.

Eu não errei no meu Frango Gratinado com Queijo e Batatas. Simples e apetitoso!

Para encerrar os trabalhos e voltar ao passeio, finalizamos com a Torta de Maçã com Nozes e Chantilly, que estava divina.

A ferradura de ouro está normalmente associada à sorte e à boa fortuna. Depois da experiência no U Zlaté Podkovy, o restaurante da Ferradura Dourada, posso afirmar que, de fato, me sinto uma pessoa mais sortuda. =)

Restaurace U Zlaté Podkovy
http://www.uzlatepodkovy.eu/en/restaurant-czech-cuisine  
Nerudova 34 – Praga – República Tcheca

Embarque na melhor experiência do ano

Para tornar especial o último post do ano, fiz uma seleção e escolhi a melhor experiência gastronômica vivida em 2010. Não é por menos que a foto que ilustra o cabeçalho deste blog foi obtida nesta experiência. Não se trata de um restaurante convencional, já que ele não está localizado em uma única cidade, nem sequer em um mesmo país. Como assim? Simples: o restaurante fica em um trem.

Em fevereiro deste ano, eu e o Alexandre tivemos a feliz ideia de viajar de Praga para Budapeste por via ferroviária. Menos poluente, mais segura e mais romântica do que seria se fosse feita de avião, nossa viagem de trem durou cerca de sete horas, começando na República Tcheca e passando pela Eslováquia até chegar na Hungria. Campos e cidades cobertos de neve foram as belas paisagens vistas pelas janelas.

Dentro do trem, encontramos no restaurante a nossa atração. Localizado em um vagão próprio, o restaurante é composto por dois ambientes. Na frente, um pequeno espaço com duas ou três mesinhas serve como uma espécie de bar. No meio do vagão, um balcão e a cozinha. No último ambiente, em um espaço confortável, ficam as mesas.

Como nossa viagem começou bem cedinho, nossa primeira experiência por lá foi no café da manhã. Dispensei os pratos com presunto, tão comuns na culinária do leste europeu, e apostei em uma doce opção: panqueca de chocolate com chantilly. Para a minha surpresa, ela veio numa excelente apresentação. Para acompanhar, um café com leite.

Cabe justificar o motivo de eu ter me surpreendido positivamente. O que ocorreu é que encontramos só uma pessoa atendendo no restaurante, um senhor com uma aparência sisuda. Além de chef, ele também recebeu os pedidos, serviu os pratos e fez a cobrança. Fora isso, é importante ponderar que os pratos eram relativamente baratos. Ambos motivos me fizeram – erroneamente – acreditar que as refeições não seriam tão gostosas e bem apresentadas como acabaram demonstrando ser.

Depois do café da manhã, voltamos a caminhar pelo trem e descansar em nossos assentos. Não tardaríamos, porém, a voltar ao melhor vagão. No início da tarde, retornamos ao restaurante para o almoço. Ao contrário do começo da viagem, quando o trem estava cheio, agora ele encontrava-se quase vazio, já que muitas pessoas já haviam desembarcado no caminho. Por conta disso, o restaurante também estava sem movimento, com apenas uma ou duas mesas ocupadas.

Para a entrada do almoço, nada melhor do que uma sopa de legumes bem quentinha. Sopa e neve definitivamente são uma grande combinação. Só não dá para se empolgar e comer muito pão, caso contrário a refeição pode terminar por ali mesmo.

Os pratos principais estavam tão bem apresentados quanto a panqueca da manhã. E muito gostosos também. A minha escolha foi um penne com frango e molho de queijo. Muito queijo!

O Alexandre almoçou um prato composto por filé de porco, batatas com champignon e salada. Segundo ele, a refeição estava maravilhosa.

Abdicamos da sobremesa, pois já estávamos quase chegando em nosso destino. Uma pena terminar uma viagem tão gostosa (em todos os sentidos). A recompensa, entretanto, foi desembarcar sob a neve de Budapeste, cidade que rendeu várias outras experiências gastronômicas. Mas isso, obviamente, será assunto em novos posts.

Tenham todos um delicioso 2011!


O Não é um Guia é um blog que reúne despretensiosos relatos de experiências gastronômicas vivenciadas em lugares interessantes e desinteressantes, escritos por alguém que não entende de culinária, não sabe cozinhar e é especialista em tele-entrega.

Quem vos escreve

Giovanna Berti Previdi, publicitária, gremista, não gosta de atum nem de presunto. Seu atual lugar no mundo é Santa Cruz do Sul, mas gosta mesmo é de viajar. Contato: gica_bp@yahoo.com.br

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